domingo, julho 11, 2010

segunda-feira, julho 05, 2010

Zelf 4º



Zelf 
4º Capítulo



Passaram-se dois meses desde que aquele homem incomodou Morris. Zelf ainda está preocupado, pois Morris é velho, mora sozinho e não está curado do seu ferimento na perna. Quando está em casa com sua mãe fica impaciente, quer ir treinar na casa de seu professor o mais rápido possível. Então toma sua espada e arco, despede-se da mãe e logo sai em passo apressado.
            Ao chegar à frente da casa de Morris, sente um calafrio na barriga, sente que algo aconteceu, pois Morris não estava à frente da casa como sempre era de costume. Ele larga a espada e o arco no alpendre da casa e corre chamando por Morris. Quando ele chega perto da cozinha, ouve alguns gemidos vindos do quarto. Então vê Morris caído, com a mão sobre um ferimento no lado direito da barriga. Zelf, com a cara de espanto o apanha e lentamente o deita na cama, parece não acreditar. Morris tosse muito, e diz que aquele homem tinha voltado, para roubá-lo.
            Zelf vai até um pequeno estábulo onde fica o cavalo de Morris. Ele sela aquele cavalo negro musculoso, e de grande disposição. Sai em disparada em busca de ajuda. Vai até a casa de Dimitri; Que é o único daquela pequena cidade que tem habilidades médicas. Em cima do cavalo que galopa e se culpa por deixar aquele velho homem sozinho, mas ao mesmo tempo não poderia deixar sua mãe sozinha, já que era filho único. Ao chegar à frente da casa de Dimitri, ele avista uma bela jovem, de pele e olhos claros, que está em pé na porta. Os dois se olham fixamente e então ele pergunta:
-Onde está...?
Ela percebendo que se tratava de seu pai, pelo nervosismo dele pergunta:
-Meu pai?
-Sim...
Ela vai ao interior casa, onde seu pai está e o chama. Zelf o encontra e diz tudo que aconteceu. Então Dimitri sela seu cavalo e com sua filha a quem chamou de Elissa, vão a galope para a casa de Morris.
            Depois de alguns curativos, Dimitri acalma Zelf afirmando que Morris ia ficar bem. Mas o jovem não se conforma de um velho apanhar de um covarde, e está também abalado por ver uma moça tão bela. Ele monta novamente no cavalo negro e vai à busca do criminoso. Passa pelo trigal perguntando a todos se alguém tinha visto aquele homem. Ninguém soube do paradeiro daquele homem, e afirmaram que ele não trabalhou pela manhã. Zelf volta transtornado, mas não ira desistir de encontrá-lo.
            Zelf ficou envergonhado ao ver que Elissa o olhava fixamente seus movimentos quando amolava sua espada no alpendre. Ela sentou-se ao seu lado e perguntou-lhe:
-Zelf, esse é seu nome não é?
-Sim (ele fala envergonhado).
-Bonito nome sabia?
-Obrigado... O seu é lindo, Melissa.
-Obrigado. Não se preocupe, seu pai vai ficar bem.
-Ele não é meu pai.
-Nossa... Como você é bondoso.
Os dois se olham nos olhos novamente, mas são interrompidos pelo pai dela que a chamou para ajudá-lo com os curativos de Morris. Zelf sorri depois desse dia conturbado, e se sente feliz por ter conhecido Elissa.

sexta-feira, julho 02, 2010

Zelf 3º

Zelf
3º Capitulo




        

Por dentro da mata voa leve e veloz uma flecha; Zelf cravou-a bem no centro do pescoço do veado que caíra ofegante. Zelf demonstrou ser um exímio arqueiro naqueles dias de inverno, e a cada dia ganhara mais habilidades com o arco. Andava horas durante o dia por entre campos e florestas das terras de Morris, e na montanha onde animais se abrigavam. Não sentia medo de qualquer coisa, é cauteloso, reflete como vai atirar e raramente vacila. Virou um grande amigo de seu arco e de suas flechas.
          Ele caminha, carrega sobre seus ombros o veado já sem vida. Avista ao longe o casebre de Morris, e percebe que algo está acontecendo... Morris está a discutir com um homem que devia ser um de seus trabalhadores. Zelf coloca sua caça no chão, e observa ao longe que a discussão fica cada vez mais tensa. O homem está quase a bater em morris, quando uma flecha é fincada bem aos pés dos dois. O homem olha assustado para o lado, e vê Zelf fazer um movimento com o braço indicando ele a sair dali e exclamando:
-Deixe-o em paz!
          O homem calmamente apanha um velho saco que está no chão, e sai sem dizer mais nada. Zelf coloca novamente o veado nos ombros e logo chega no casebre. Ele pergunta a Morris se tudo está bem, e logo recebe um movimento com a cabeça dizendo que sim. Morris está meio abalado, não é mais aquele homem novo, forte e destemido que foi um dia. Zelf tenta animá-lo, contando-lhe como fora a caçada. Ele sorri e novamente volta ser o alegre e simpático Morris de sempre. Depois dos dois terem conversado um pouco, Morris prepara um belo almoço com a caça trazida pelo jovem Zelf. Morris conta ao jovem que aquele homem queria roubá-lo, afirmando que não recebera o pagamento que recebe todas as semanas, mas Morris já havia pagado, no inicio da semana.
          Morris suspira. Fala para zelf que atingir um homem como poderia ter acontecido hoje pela manhã, era desleal pois o homem estava desarmado. Zelf fica confuso e pergunta se querer bater em um senhor de idade avançada também não era desleal. O velho Morris levanta-se da cadeira e se dirige até seu humilde quarto. Quando volta não vem apoiado na sua inseparável bengala, mas apoiado numa coisa que reluzia a chama do fogão e que fazia um barulho estranho ao encostar no chão. Morris fala:
-Preciso lhe mostrar uma coisa, meu rapaz...
          Morris ergue uma linda espada cor de prata. Zelf admira a espada, percebe que é de um fio amolado, e de um metal muito resistente. 
          Ele recebe a espada e Morris diz que foi dele a muito tempo, agora era de Zelf. Ele não consegue segurar a alegria de receber tão nobre presente. Sorri, agradece, e  pergunta a Morris por que dar um presente tão significativo para ele à um jovem que não sabia manejá-la, e  Morris responde:
-Você vai aprender...
          Morris convida Zelf a sair de casa, os dois se dirigem ao pátio de terra em frente da casa, onde começa a ensinar a Zelf como se deve manejá-la. Ele observa os movimentos de Morris, e percebe como ele foi um grande guerreiro no passado. Morris o entrega a espada e ensina alguns golpes que ele não demora muito para aprender e reproduzi-los fielmente, e manda-o treinar até não agüentar mais. Quando chega a noite é hora de Zelf voltar para sua casa, está exausto, leva consigo boa parte da carcaça do veado para sua mãe, que já deve estar lhe esperando aflita a sua volta. Mas zelf está preocupado com aquele homem que poderia voltar...
(Continua...)

quarta-feira, junho 30, 2010

Zelf 2º

Zelf 
2º Capitulo

         

As lagrimas escorriam dos olhos de Zelf, suas mãos estavam tremulas, mal respondiam aos seus comandos, não sentia medo, mas uma profundo desejo de vingança. Era criança na época, não podia fazer nada. Aquele homem a que tirara a vida de seu pai, diante dos seus olhos. Durante muito tempo alimentava aquele sentimento de angustia, que não o permitia dormir, sem antes rever lapsos de memória daquele dia negro. Mas ele tinha a sua mãe a quem sempre lhe deu apoio a superar aquele fato grotesco. Ela sempre não demonstrava infelicidade, apesar de sentir muitos traumas que por amor a seu filho não os deixava transparecer. Mas agora Zelf já era um jovem, estava mais forte, tinha se tornado um homem, e pensava ela que ele não se lembrara, com detalhes daquele triste fato.
Era manhã, Zelf calça suas botas de couro leva na cintura uma adaga, que herdara de seu querido pai, e segue em direção a casa de Morris. Caminha como quem tem objetivo a cumprir, passos firmes. Tinha postura de quem estava feliz por uma coisa que estava prestes a se realizar.
Logo quando passa daquela velha porteira, avista morris com sua inseparável bengala, que ao longe já exclama:                                                                                                                                 
-Demorou muito!
Zelf sempre com seu jeito tímido responde;
-Desculpe senhor.
Morris faz um gesto com a cabeça, indicando uma trilha, que os dois deveriam seguir. Caminharam durante uns vinte minutos, em um caminhar lento, enquanto isso Morris tentava descobrir um pouco sobre aquele jovem, descobrir qual era o seu temperamento e o por que desse desejo de saber manejar armas. Enquanto falavam, Morris aponta com a sua bengala para um galho que havia caído de uma arvore e fala:
-Apanhe este galho rapaz e leve-o.
Zelf sem entender muito, tira sua adaga e corta os ramos daquele galho curvo, que tentava descobrir o porque de levá-lo. Ele pergunta:
-Senhor, pra que servirá este galho?
Morris responde, com uma leve risada:
-Logo saberá meu rapaz
“Ele é puro, e educado”, pensa morris. Depois de caminhar mais um pouco tomam outra trilha onde passam pelas terras, onde o trigal amarelo se estende até o pé de uma pequena montanha, onde frondosas arvores balançam com o movimento do vento, e logo chegam ao casebre de Morris novamente.
Morris pega algumas ferramentas rústicas e começa a transformar aquele feio galho de teixo, em um bonito arco de modelo inigualável. Ele coloca a corda, ajusta o tensionamento, e sua face produz um sorriso de aprovação, coloca uma flecha e com um movimento rápido dispara uma flecha contra uma macieira, onde duas bandas de maçã caem quase na cabeça de Zelf. Ele sorri com a cara de espanto do rapaz, e pergunta:
-E então vamos começar?
Zelf responde que sim, e então Morris lhe entrega a arma, e diz:
-Isso é uma arma, não se deve brincar com isso... Ela pode matar qualquer ser humano. Deve ser usada com leveza e ao mesmo tempo com rapidez. 
Então, morris improvisa um alvo de madeira, e ensina passo por passo, postura, posição das mãos e pés e outras coisas mais. O rapaz erra muitas vezes, mas, aprende rápido as lições, e não para. Com tudo isso Morris, sente uma alegria imensa brotando dentro de si, deixa cair uma pequena lagrima, sorri com aquele rapaz que por um instante parecia ser seu filho...
(Continua...)

terça-feira, junho 29, 2010

Zelf 1º

Zelf
1º Capitulo

 


Era noite quando o velho aldeão, ainda contava suas longas histórias e mitos, tinha um semblante alegre, apesar de sua idade, sabedoria contida nas suas sabias histórias, e os grandes que ali ouviam, tinham plena certeza que era pura imaginação de um velho que toda noite vinha ao centro da pequena cidadela, pra expressar seus contos. Ele era alto de um tipo físico forte, tinha sutileza ao falar, a fogueira no centro realçava a sua demonstração de gestos, as vezes com um pouco de humor, que na verdade narravam fielmente o decorrer de uma batalha, travada a muito tempo atrás. Tinha cabelos longos que se estendiam até os ombros, sua barba era bonita mas parecia que à meses não tinha sido feita, escondia um sorriso contido, ao perceber que um jovem o observava seus gestos aos mínimos detalhes. Empunhava sua bengala simulando uma espada, cujos gestos pareciam ser de alguém que sabia manejar espadas, mas atrapalhados por um ferimento no seu pé esquerdo, causado por sua foice de cortar trigo. Mesmo assim travava uma linda batalha com sua bengala contra o vento, que parecia honrar aquele velho guerreiro, lançando seus cabelos de forma aleatória, conforme suas esquivas e ataques enferrujados eram sendo demonstrados. Mal imaginavam as pessoas que ali ouviam, que esse senhor de barba e cabelos brancos, que mal sabia usar uma foice de cortar trigo, foi um grande herói do seu tempo.
           Já era conhecido em toda cidadezinha,aquele contador de histórias de nome Morris, que em um dia de inverno apareceu na cidade, montado em um cavalo negro, trazia poucas coisas e algum dinheiro, que logo comprou uma pequena porção de terra no arredor da cidade, e lá com a ajuda de seu cavalo, e com o pagamento de alguns trabalhadores, produz trigo para venda. Na sua pequena propriedade possui um casebre, com pouca mobília, conseguida com seu humilde trabalho, morava sozinho, não contava muito sobre
sua vida passada, apenas contos que todos pensavam ser de sua criatividade.
    Numa tarde estava Morris, acendendo o fogo de seu humilde fogão, com alguns gravetos e palha seca, quando sente uma presença estranha no exterior de sua casa, ele deixa o fogo de lado e procura saber quem é. Faz um movimento sutil com a bengala procurando abrir a porta, e lentamente surge diante dos seus olhos, um corpo franzino e jovem de pele clara, olhos azuis trazia um leve sorriso estático, vestia as roupas comuns as pessoas da cidade, uma calça velha e uma camisa longa surrada, então ele fala:
-Olá, senhor!
Morris, com um pequeno entusiasmo responde:
-Olá, rapaz...!entre.
O jovem entra, Morris lhe oferece um acento, se encosta numa pequena mesa e ao mesmo tempo pergunta:
-O que me faz receber tão nobre visita?
O jovem meio envergonhado e atônito:
é...era sobre sua arte... queria que me ensinasse...
Morris lembrou-se que era o mesmo rapaz que lhe observava enquanto narrava suas histórias de batalha, depois de pensar um pouco
Ele indaga:
-O que te faz pensar que sei de alguma arte?
Ele responde:
-O senhor conta muitas histórias...então deve saber ensinar...
Morris pensa, sorri, depois de acariciar sua barba e pensar um pouco, responde:
-Acho que não deveria te ensinar...Qual seu nome rapaz?
Ele responde meio transtornado:
-Zelf, Senhor.
Morris, lembra-se de quando era jovem e desejava da mesma forma aprender a arte de um guerreiro e sua espada, ter nas mãos uma espada
e poder assim usá-la. Ele responde confuso:
-Volte amanhã, amanhã te direi se posso ou não te ensinar.
Zelf concorda, já com um sorriso enorme no rosto, os dois se despedem... Morris se põe a pensar...

(Continua...)


quinta-feira, junho 24, 2010